sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Linha do infinito

Não lembro o dia, porém recordo o ano. Foram muitos anos atrás quando tudo começou ou quando nossas almas voltaram a se reencontrar.
Foi através de uma tela que tudo se iniciou, foi através dos caracteres de um computador que fui te conhecendo. Lembro-me que, a cada novo dia de conversa, era um encanto novo.

O certo é parar de abreviar palavras. Não precisa encurtá-las; é melhor escrever na norma culta. E desconheço alguém tão inteligente. A cada novo dia, me encantava mais com a sua inteligência. Que pessoa incrível é essa?

E como pode ser tão esperta, tão inteligente e tão bonita? É difícil encontrar esse conjunto em uma só pessoa.
As trocas de letras foram aumentando e surgiu algo, algo que chamamos de saudade. Até ligação tinha. Que coisa estranha, porém tinha: ligação para chamar.

As coisas foram se intensificando, e eu resistindo em falar algo, pois sabia que aquele coração já tinha um dono. A saudade aumentou tanto que ela também começou a sentir o que eu sentia e, então, se abriu. Foi o dia mais importante daquele ano.

Além da saudade, surgiram fantasias, desejo, paixão e, por fim, nasceu o amor. Que amor seria esse? Surgiu ou renasceu? Foi um reencontro ou um novo encontro?

Os bate-papos se intensificaram até que os abraços se cruzaram, e os beijos e afetos surgiram fora das telas. Não recordo o primeiro encontro carnal; lembro-me apenas da minha insatisfação por nunca conseguir fazer você chegar lá.

A cada novo encontro, as coisas se apimentavam, as fantasias aconteciam, e eu a surpreendia. Mal sabia ela que sempre me surpreendia ainda mais com seu insaciável desejo.

A paixão estava acesa, mas o amor começava a se perpetuar, um amor que fortalecia. Surgiram brigas e ciúmes.

O destino nos afastou. Foram longos meses longe um do outro fisicamente, meses sem nos vermos. Entrou algo que posso chamar hoje de erro de vida, e ficamos longe. Mesmo assim, algo mais forte existia, algo que não deixava a chama do amor apagar.

O destino nos trouxe para mais perto. O que antes era difícil, já acontecia com frequência. Mesmo com as brigas que aconteciam, fizemos em nossa casa as maiores loucuras que duas pessoas poderiam fazer.

Em vários cantos dessa casa, beijos e abraços aconteceram, algo que só dois loucos que se amam poderiam viver.

O medo e a insegurança me afastaram. Como uma bala perdida, descubro a vinda de uma nova pessoa. Meu coração chora de tristeza, pois era para ter sido eu o motorista dessa nova pessoa e não outro. Que idiota eu fui. Durante esses longos meses, com a chegada dessa nova pessoa, eu me afastei. Nem olhar eu conseguia; só causava sofrimento e dor imensurável.

Jamais pensei que voltaríamos a nos encontrar. Só que quem nos fez nos encontrar lá no início sabia que a nossa história não tinha começado no lixo e que nossos sentimentos eram verdadeiros — e ainda são.

Voltamos a cruzar nossos corpos, nos melhoramos como pessoas. O tempo nos moldou e nos fez melhores.
Foram idas e vindas, choros com lágrimas e sem lágrimas, momentos bons e ruins.

Já se passaram tantos anos desde quando tudo começou. Quanta coisa já aconteceu, e ainda estamos aqui. Me pergunto: por que nunca acabou? Não sei, são tantas coisas.

Mas hoje, eu verdadeiramente sei que te amo. Você me faz viver. Consegue transformar um dia sombrio em um dia ensolarado com poucas palavras digitadas, ainda através de um teclado.

Você não é deste planeta. Talvez sua paixão por planetas explique isso. Só sei que você é a melhor coisa que existe. Acho que, por isso, nos chamamos de infinito, porque o infinito não acaba — ele sempre continua.

Somos duas pessoas que se amam, se amam desde outra vida. E os curtos momentos que temos conseguem ser melhores do que tudo que outras vidas não conseguem nos proporcionar.

Dou uma pausa aqui, mas volto para continuar a falar, falar do amor, falar de você, falar de nós em guarani e do nosso infinito amor.

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