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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Poesia para o Amor

Poesia para o Amor
 
reciprocidade boa e repentina,
Que subitamente me invade a alma...
Fiquei nervoso, sem calma,
Por ti embeiado, graciosa Carolina!

O que isto, que se me est a crescer,
Que me devolve a vontade de escrever,
Escrever poesia para o amor,
Amor iluso e pecador...
Deve ser feitio ou magia,
Atrao e algo mais que j sentia,
Que me levou em passo acelerado,
Correr atrs do teu beijo apaixonado...

Te procuro...

Te procuro em meio a multidao com olhos de guia
aguo meu faro como um leao voraz que ronda sua preza
meus passos se agilizam
meus ps pisam friamente o chao sem barulho
mas voce ainda foge
voce inalcanavel
procuro em voce a essencia da felicidade
por que foges de mim?


Autor Desconhecido

domingo, 21 de outubro de 2012

Quando teus lábios tocam os meus - Eduardo Lemos

Quando teus lábios tocam os meus 

Eduardo Lemos

Eu, simplesmente não existo mais
Vou para outro mundo, saio de mim e esqueço tudo
Esqueço do tempo e me perco em teus lábios
Tudo parece não existir além de nós 

Que gosto tem teus lábios?
Que gosto é esse que me faz querer mais eles?
Lábios com gostam de mel, doce lábios! Amáveis beijos. 
Meus lábios dizem te quero, te quero como é bom te beijar.

Seus lábios, lindos lábios de beijos maravilhosos
Quanto mais lhe beijo, mais lhe quero, porque seu beijo me faz te querer mais
Quanto mais sinto o gosto que contém neles, mais eu quero beijar-te
Beijando-te, sinto a melhor sensação, o maior conforto para meu coração

Amo te beijar, amo sentir teus lábios tocarem aos meus de forma delicada
Adoro a maciez que os movem nos meus, lindos lábios 
Maravilhosos beijos,  maravilhosas sensações teus lábios causam
Beijar-te,  te tocar, sentir o calor de seu corpo é uma das melhores sensações



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O Teu Riso - Pablo Neruda

O Teu Riso

Pablo Neruda

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Coisa Amar - Manuel Alegre

Amor
Linda Flor
Manuel Alegre


Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

domingo, 30 de setembro de 2012

Amor - Álvares de Azevedo

Amor
Amor
Álvares de Azevedo

Amemos! Quero de amor 
Viver no teu coração! 
Sofrer e amar essa dor 
Que desmaia de paixão! 
Na tu’alma, em teus encantos 
E na tua palidez 
E nos teus ardentes prantos 
Suspirar de languidez! 

Quero em teus lábio beber 
Os teus amores do céu, 
Quero em teu seio morrer 
No enlevo do seio teu! 
Quero viver d’esperança, 
Quero tremer e sentir! 
Na tua cheirosa trança 
Quero sonhar e dormir! 

Vem, anjo, minha donzela, 
Minha’alma, meu coração! 
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração! 
E entre os suspiros do vento 
Da noite ao mole frescor, 
Quero viver um momento, 
Morrer contigo de amor!

Ternura - Vinicius de Moraes

Ternura
Ternura
Vinicius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ausência - Vinicius de Moraes

Ausência

Vinicius de Moraes

Eu deixarei que morra
em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Soneto de amor total - Vinicius de Moraes

Rafael Deleon
Soneto de Amor Total

Vinicius de Moraes

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Eu sei e você sabe -Vinicius de Moraes

Rafael Deleon
Eu Sei e você Sabe

Vinicius de Moraes

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe

Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor

Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer

Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!

Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes



Soneto de Fidelidade 

Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.